Exposição “Debret Em Questão – Olhares Contemporâneos” no Museu do Ipiranga

 

"Cultivo de cogumelos - série 'Atualizações traumáticas de Debret'" (2020), colagem digital, de Gê Vianna, em exibição no Museu do Ipiranga. Foto: Jorge Almeida

Com 93 obras, a exposição “Debret Em Questão – Olhares Contemporâneos” está em cartaz no Museu Paulista da USP, o popular Museu do Ipiranga, até o próximo domingo, 17 de maio, e integra a Temporada França–Brasil 2025, que comemora os 200 anos das relações diplomáticas entre os dois países. A mostra sugere um encontro entre as imagens do Brasil Imperial criadas pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret e a releitura feita por artistas contemporâneos brasileiros. A exposição tem curadoria de Jacques Leenhardt e Gabriela Longman.

A exposição congrega 35 gravuras originais da obra “Voyage pittoresque et historique au Brésil”, publicada entre 1834 e 1839, em que Debret ilustra o cotidiano do Rio de Janeiro com uma visão crítica e detalhada, mostrando a selvageria e as contradições da sociedade escravocrata. Na época, essas imagens trouxeram desconforto justamente por despontarem a realidade da escravidão no Brasil.

Ao lado dessas obras históricas, a mostra expõe trabalhos de 20 artistas contemporâneos que revisitam o universo de Debret de forma crítica, irônica e também política. Nomes como Rosana Paulino, Jaime Lauriano, Dalton Paula e Gê Viana usam essa iconografia para abordar racismo, violência histórica, identidade e resistência. Entre os destaques estão obras inéditas de Jaime Lauriano e Rosana Paulino, criadas especialmente para a exposição.

O objetivo da mostra é revisitar o passado com perguntas do presente, despontando como as imagens de Debret seguem influenciando o modo como o Brasil pensa sua própria história. A exposição também destaca como artistas atuais têm ressignificado essas representações, trazendo novas perspectivas sobre memória, desigualdade e identidade brasileira.

Em meio aos destaques estão obras como “Aplicação do Castigo do Açoite / Negros no Tronco” (1835), uma literatura sobre papel; “Arquivo Digital” (2017), de Denílson Boniwa, uma reprodução tátil de “Caboclo: Índio Civilizada” (1834), de Debret; e "Cultivo de cogumelos - série 'Atualizações traumáticas de Debret'" (foto), de 2020, colagem digital, de Gê Vianna, referenciada em "Pequena moenda portátil " (1835).

SERVIÇO:
Exposição: Debret Em Questão – Olhares Contemporâneos
Onde: Museu Paulista da USP (Museu do Ipiranga) - Rua dos Patriotas, 100 - Ipiranga
Quando: até 17/05/2026; de terça a domingo, das 10h às 17h (com permanência permitida até às 17h30)
Quanto: entrada gratuita, apenas para essa mostra

Por Jorge Almeida

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