Copa do Mundo: estudo da FGV aponta a Espanha como favorita ao título *
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| Foto meramente ilustrativa. |
A Copa do Mundo é um dos fenômenos que mais mexem
com o coração do torcedor brasileiro. Apesar da Seleção não ser campeã há 24
anos, até os mais céticos devem voltar a vestir verde e amarelo na esperança de
ver o time fazer bonito a partir de 11 de junho. Mas, segundo o modelo estatístico desenvolvido por
estudantes da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas
(FGV EMAp), associada institucional da Sociedade Brasileira de
Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC), o tão sonhado hexa ainda pode ter
que esperar um pouco mais.
De acordo com as simulações, que calculam as chances
de vitória, classificação e conquista do título a partir do desempenho recente
das equipes, a Espanha é a seleção com a maior probabilidade de título entre as
48 participantes do torneio. A campeã mundial de 2010 tem, segundo o modelo,
15,57% de chances de levantar a taça mais cobiçada do futebol. Em seguida, aparecem
Argentina (13,62%) e Inglaterra (9,24%).
Maior campeã da história das Copas, o Brasil ocupa o
nono lugar na lista, com 4,68% de chances de conquistar o hexa – atrás de
Colômbia (5,56%), Marrocos (4,90%) e Portugal (4,86%). Estes países nunca alcançaram
a glória máxima na competição, mas vêm de resultados recentes melhores do que
os do Brasil.
Não se trata de achismo, mas sim de um modelo
estatístico formulado a partir de ferramentas de modelagem matemática e
inferência bayesiana. Segundo o professor Moacyr Alvim Silva, um dos coordenadores do
estudo, o sistema utiliza dados de 2.997 confrontos entre 187 seleções nos
últimos quatro anos para simular milhares de cenários possíveis ao longo do
torneio.
“Nosso modelo é bastante competitivo. Em edições
anteriores da Copa, conseguimos vencer um bolão de estatísticos, superando
grupos que utilizavam modelos muito mais sofisticados”, destaca Moacyr.
As estimativas também mudam de acordo com cada
confronto. “A gente leva em conta a defesa do adversário e o ataque dele
também. Então as probabilidades variam dependendo do jogo”, explica Ezequiel de
Braga Santos, mestrando em Matemática Aplicada da FGV EMAp e um dos responsáveis
pelo projeto.
Aprendizado contínuo
Para verificar se o modelo realmente funcionava bem,
os alunos da FGV EMAp se aproveitaram de experiências anteriores. “Nós fizemos
comparações com as Copas passadas para entender qual modelo mais se aproximava
da realidade”, afirma Ezequiel. Os estudantes criaram diferentes versões da
modelagem e utilizaram métricas estatísticas para identificar quais
configurações apresentavam maior precisão.
Segundo os alunos, o sistema também “aprende” ao
longo do processo. Isso acontece porque a inferência bayesiana permite
atualizar continuamente os parâmetros conforme novos dados são incorporados às
simulações.
“O modelo começa praticamente do zero e, a partir
dos resultados de jogos passados, consegue ajustar as estimativas e produzir
cenários que fazem sentido quando a gente observa o desempenho das seleções”,
comenta Raul Medici Martinelli, estudante de graduação em Matemática Aplicada
da FGV EMAp.
Cada partida da Copa é simulada cerca de 100 mil
vezes dentro do chaveamento oficial da FIFA. A partir dessas milhares de
simulações, o modelo estima as probabilidades de cada equipe avançar para
oitavas, quartas, semifinais, final e conquistar o título.
Apesar disso, os estudantes reforçam que o objetivo
não é prever o futuro com exatidão, mas trabalhar com tendências estatísticas.
“O modelo devolve probabilidades, e não certezas absolutas. Futebol é uma das
áreas mais difíceis de prever porque existem muitas variáveis envolvidas”,
afirma Ezequiel.
Fator Neymar
Embora o sistema consiga estimar tendências para as
seleções, algumas variáveis continuam difíceis de traduzir matematicamente. É o
caso do impacto de jogadores como Neymar, cuja presença entre os convocados de
Carlo Ancelotti ainda gera debates entre torcedores e especialistas. Segundo os
estudantes, incorporar fatores desse tipo exigiria uma quantidade muito maior
de dados detalhados sobre desempenho individual, o que acabaria tornando o
sistema excessivamente sensível e difícil de calibrar.
Os estudantes ressaltam, porém, que a influência dos
atletas aparece indiretamente nos resultados históricos das seleções analisadas
pelo sistema. “Se determinado jogador participou de campanhas importantes, isso
acaba influenciando os dados da equipe ao longo do tempo”, comenta Raul.
Apesar das projeções apontarem um cenário desafiador
para o time do Brasil, os pesquisadores mantêm o otimismo típico de Copa do
Mundo.
“A gente trabalha com probabilidades, não com
certezas. Então ainda dá para sonhar com o hexa”, brincam.
Os números do Brasil
O site com as probabilidades levantadas pelo estudo
já traz detalhes de todas as partidas da primeira fase,
com indicações dos vencedores e resultados que têm mais chances de acontecer.
Por exemplo: para a estreia do Brasil, a seleção de Marrocos tem um leve
favoritismo: 35% de chances de vitória, contra 32,4% do Brasil. O resultado
mais provável é um 0 a 0 (16,8%). Os outros resultados que mais apareceram nas
simulações são derrota do Brasil por 1 a 0 (15,2%) e vitória por 1 a 0
(14,5%).
Contra o Haiti, o cenário já é mais favorável à
Seleção: 87,5% de vitória, e os placares mais prováveis são por 3 a 0 (12,8%)
ou 2 a 0 (12,4%).
Fechando a fase de grupos, o Brasil também aparece
como favorito contra a Escócia: a probabilidade de triunfo é de 61,7% – 12,5%
de chances de ser por 1 a 0 e 11,6% por 2 a 0.
Essas probabilidades colocam o Brasil em ótima
condição para se classificar ao mata-mata: 96,4% de chances de passar de fase.
A partir daí, as partidas ainda não são conhecidas.
Porém, o estudo também aponta as maiores chances de cada confronto ocorrer – e
de cada equipe vencê-lo.
O caminho que mais apareceu nas simulações para o
Brasil tem classificações contra Japão (16-avos de final) e Noruega (oitavas),
até chegar em uma possível eliminação nas quartas, em um confronto que traz 57%
de chances de classificação à Inglaterra.
De qualquer forma, os pesquisadores fazem questão de
frisar que os números são muito próximos e há muitos confrontos extremamente
equilibrados. “Além disso, as porcentagens são complementares: uma equipe com
10% de chances de ganhar a Copa, por exemplo, tem 90% de chances de não ganhar.
Um resultado com 20% de chances de acontecer tem 80% de chances de não
acontecer, e assim por diante”, explica o professor Moacyr.
A cada fase do mundial, os pesquisadores farão novas
simulações e seguirão atualizando o site que apresenta os resultados. O público
já pode acompanhar os gráficos, probabilidades e estimativas de placar
diretamente no site oficial do projeto: www18.fgv.br/emap/
Créditos: Start Assessoria
de Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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