Judas Priest: 45 anos de “Point Of Entry”
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| As duas versões das capas de "Point Of Entry", do Judas Priest, que completa 45 anos em 2026. |
Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, o álbum “Point Of Entry”, do Judas Priest, completou 45 anos de lançamento. Gravado no Ibiza Sound, em Ibiza, na Espanha, a obra foi lançada pela Columbia e a produção creditada a Tom Allom e o próprio Judas Priest.
Mesmo com o sucesso estrondoso de “British Steel” (1980), os Metal Gods
optaram por não repetirem a fórmula. Em vez de simplesmente fazer “mais do
mesmo”, banda foi para a Ibiza buscar uma sonoridade mais direta, mais
acessível, com pegada de Hard Rock e visando um apelo mais radiofônico. Isso culminou
em opiniões dividas na época, especialmente porque o disco, ao longo da
história, ficou no meio de dois gigantes da carreira do grupo.
O álbum já começa com “Heading Out To The Highway”, que até
hoje é uma das músicas mais lembradas dessa fase. É um rock ‘estradeiro’,
simples, com refrão forte e aquele clima de liberdade que funciona muito bem ao
vivo. Em seguida vem “Don’t Go”,
mais cadenciada e menos impactante, mas com bons momentos de guitarra. “Hot Rockin’” devolve a energia, é
vibrante, ganhou clipe (com direito a figurante trajando uma peita do emergente
Iron Maiden) e acabou se tornando uma faixa constante no repertório dos caras.
Já “Turning Circles” mantém o clima leve e radiofônico, enquanto “Desert Plains” é, para muitos, o grande
momento do disco. Tem uma atmosfera envolvente, um ritmo marcante e cresceu
muito ao vivo, virando uma das favoritas dos fãs. Já “Solar Angels” traz um pouco mais de peso e tensão, com riffs mais
trabalhados e um vocal mais agudo de Rob Halford, mostrando que o Priest ainda
sabia soar intenso mesmo em uma fase mais comercial.
Na reta final, “You Say Yes” e “All the Way” seguem uma linha mais rock tradicional, com refrões
simples e diretos. “Troubleshooter”
é sólida, bem construída, com destaque para as guitarras, e “On The Run” fecha o disco de forma
coerente: simples, energética e sem excessos, refletindo bem a proposta do
álbum.
É um trabalho mais enxuto, menos
agressivo e técnico do que o anterior. Isso decepcionou parte dos fãs na época,
mas, ouvindo hoje, e sem comparações, é um play honesto, bem tocado e
importante na trajetória da banda. Ele preparou o terreno para o que viria logo
depois, com “Screaming For Vengeance”,
que recolocaria o grupo no auge absoluto do heavy metal.
Em suma, “Point Of Entry” pode não ser o clássico definitivo do Judas Priest,
mas mostra uma banda experiente tentando ampliar seus horizontes — e isso, por
si só, já diz muito sobre a sua relevância.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por Jorge
Almeida

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