Copa do Mundo 2026: torcedor multitela, impaciente e hiperconectado, por Bruno Almeida*
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| Foto meramente ilustrativa. |
A Copa do Mundo de 2026 não marca apenas um pico de audiência e investimentos publicitários. Ela expõe, em escala global, um comportamento que já vem moldando o consumo de mídia: o torcedor multitela, impaciente e hiperconectado. Um perfil que desafia modelos tradicionais e obriga a publicidade a repensar suas estratégias de forma estrutural.
Esse novo consumidor esportivo não acompanha mais o
jogo de maneira linear. Antes da partida, consome escalações, estatísticas e
análises. Durante o jogo, alterna entre a transmissão principal, o celular,
aplicativos esportivos e redes sociais. Depois, revisita os melhores momentos,
comentários, debates e conteúdos que prolongam a atenção por horas ou dias. O
jogo virou uma experiência contínua e não um evento isolado.
Dados confirmam a virada no
consumo esportivo
Esse comportamento é comprovado por dados. O IBM
Sport Survey Report 2025 mostra que 29% dos fãs globais já acompanham
eventos esportivos usando mais de uma tela, número em crescimento em relação ao
ano anterior. O mesmo estudo aponta que 82% dos torcedores utilizam aplicativos
móveis durante eventos ao vivo, e 91% fazem isso enquanto o jogo acontece,
principalmente para acessar estatísticas, comentários em tempo real e análises
de desempenho.
Ao mesmo tempo, o consumo audiovisual passa por uma
mudança estrutural. Em 2025, segundo a Nielsen, o streaming atingiu
44,8% do consumo total de TV, superando pela primeira vez a soma da TV aberta e
da TV paga. Embora grandes eventos esportivos ainda concentrem audiência relevante
na TV linear, o dado deixa claro que o hábito do espectador já é digital,
conectado e distribuído entre telas,inclusive durante transmissões ao vivo.
Da transmissão à segunda tela: o
protagonismo das plataformas digitais
Nesse contexto, plataformas esportivas digitais
deixam de ser complementares e passam a ocupar papel central na jornada do
torcedor. A OneFootball é um exemplo claro desse movimento. A plataforma
conecta mais de 200 milhões de fãs globalmente e registra cerca de 7 bilhões de
sessões por ano, segundo dados divulgados pela empresa e por parceiros como a
Airship. O aplicativo funciona como uma segunda tela esportiva, reunindo
notícias, estatísticas em tempo real, vídeos curtos e notificações
personalizadas antes, durante e depois dos jogos.
Esse nível de engajamento revela um ponto-chave: o
torcedor não busca apenas o jogo, mas também o contexto. Ele quer entender o
que está acontecendo, antecipar cenários e participar da narrativa esportiva em
tempo real. Estudos da própria OneFootball indicam que o consumo de dados e
estatísticas ao vivo é um dos principais gatilhos de acesso durante as
partidas, reforçando o papel desses apps como extensões naturais da
transmissão.
O que muda para as marcas em um
ambiente de atenção fragmentada
Para a publicidade, o impacto é direto. Em um
ambiente de atenção fragmentada e hiperconectada, anúncios genéricos perdem
eficácia, especialmente em grandes eventos. Mensagens que não dialogam com o
momento do jogo ou com o comportamento do torcedor tendem a ser ignoradas. O
desafio já não é apenas alcançar grandes audiências, mas ser relevante dentro
do contexto certo.
Por outro lado, marcas que entendem essa nova
jornada conseguem transformar a publicidade em parte da experiência. Estratégias
de diversificação de mídia, que combinam transmissão ao vivo, plataformas
digitais e apps esportivos como a OneFootball, permitem que a marca participe
da conversa em vez de interrompê-la. O jogo deixa de ser o fim da campanha e
passa a ser o ponto de partida de uma estratégia mais ampla.
A Copa de 2026 apenas torna visível um comportamento
que vale para o ano inteiro. O torcedor multitela é o mesmo consumidor que
interage com marcas em outros contextos: seletivo, impaciente e pouco tolerante
a mensagens irrelevantes. Para anunciantes, a lição é clara: grandes eventos
seguem sendo valiosos, mas apenas para quem entende que, hoje, atenção se
conquista com contexto, recorrência e inteligência de mídia.
*Bruno Almeida é CEO da US Midia
Agradecimentos: Letícia Olivares | Motim.CC
** Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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