Projeto aposta na música raiz para preservar a identidade cultural do interior brasileiro *

 

Com apresentações itinerantes e encontros entre gerações, o Sons do Interior transforma a tradição da música regional em ferramenta de memória, formação de público e resistência cultural

Em um país onde ritmos regionais frequentemente disputam espaço com tendências globais e músicas de consumo rápido, iniciativas voltadas à preservação da cultura popular brasileira têm ganhado importância crescente. No interior de São Paulo, o projeto “Sons do Interior”, desenvolvido pelo Instituto Lumiarte, vem se consolidando como uma dessas ações de resistência cultural ao apostar na valorização da música caipira, instrumental e regional brasileira.

A proposta vai além da realização de shows. Com apresentações periódicas em teatros, centros culturais, praças públicas e espaços comunitários, o projeto promove encontros entre músicos de diferentes gerações, amplia o acesso à cultura e reforça a presença de instrumentos tradicionais, como a viola caipira e o acordeon, no cenário contemporâneo.

Em Rio Claro, cidade do interior paulista reconhecida pela forte ligação com a música regional, o projeto encontra terreno fértil. O município já realizou encontros com mais de 100 sanfoneiros e chegou a manter uma Orquestra Caipira, tradição que ajudou a transformar a cidade em referência para músicos ligados à cultura popular. 

Para o músico e produtor cultural Welton Nadai, responsável pelo Instituto Lumiarte, preservar a música regional significa preservar parte da identidade brasileira. “A música popular do interior carrega histórias, modos de vida, memórias familiares e características culturais que ajudam a explicar a formação do Brasil. Quando um projeto como o Sons do Interior leva essa música para diferentes espaços e públicos, ele não está apenas promovendo apresentações musicais, mas fortalecendo uma herança cultural que atravessa gerações”, afirma. 

Segundo Welton, o projeto também atua na formação de novos públicos para a música instrumental e regional, especialmente entre jovens que muitas vezes têm pouco contato com esse repertório. “O Brasil possui uma riqueza musical gigantesca, mas nem sempre ela chega de forma acessível às pessoas. Existe um trabalho importante de aproximação do público com essas manifestações culturais. Quando um jovem assiste a uma apresentação de viola ou acordeon em uma praça pública, por exemplo, ele passa a enxergar aquela música como algo vivo, atual e pertencente à realidade dele”, explica.

Além do aspecto artístico, o projeto estimula o intercâmbio entre músicos experientes e novos artistas, criando um ambiente de troca de repertórios, técnicas e vivências. Entre os participantes está o sanfoneiro Ademilson, que vê no projeto uma oportunidade de preservar tradições que, segundo ele, vêm perdendo espaço nas últimas décadas. “Eu acho isso fantástico, principalmente num mundo tão globalizado e a música indo, ao meu ver, tendo uma queda em termos de qualidade, não preservando mais a nossa música raiz, que era dos nossos pais, dos nossos avós. Esse projeto busca resgatar isso aí. É maravilhoso”, afirma.

Para o músico, Rio Claro ocupa um lugar simbólico dentro desse cenário cultural. “A nossa cidade, que já reuniu mais de 100 sanfoneiros em um evento maravilhoso, é berço de muitos músicos. Rio Claro é vista como um berço da música no cenário nacional. Isso é importantíssimo”, comenta.

A relação de Ademilson com a sanfona começou ainda na infância, influenciada pela própria família. “Meu pai tinha uma sanfona e, aos sete anos, eu comecei a querer tocar e tirar som do instrumento. Depois fui para outros instrumentos, mas acabei voltando para a sanfona, que hoje é meu principal instrumento. Meu avô tocava violão e meu pai sanfona. Foi através deles que nasceu esse gosto pela música”, relembra.

Ao mesmo tempo em que preserva tradições, o Sons do Interior também se adapta às transformações contemporâneas. As apresentações e registros audiovisuais compartilhados pela internet ajudam a ampliar o alcance do projeto para além do circuito regional. “O Instituto Lumiarte é muito sério, muito renomado, e me ajudou a levar meu trabalho para mais cidades. Hoje, através da internet, isso acaba alcançando ainda mais pessoas”, diz Ademilson.

CONHEÇA O SONS DO INTERIOR
O projeto Sons do Interior é uma iniciativa cultural do Instituto Lumiarte dedicada à valorização da música popular brasileira e das tradições musicais do interior do país. Com apresentações realizadas em teatros, praças públicas, centros culturais e espaços comunitários, o projeto promove o encontro entre diferentes gerações de músicos, destacando instrumentos como a viola caipira e o acordeon em repertórios que percorrem clássicos da música regional brasileira. Além de ampliar o acesso à cultura, o Sons do Interior busca preservar a música de raiz e fortalecer a formação de novos públicos para a produção musical regional e instrumental.

Saiba mais sobre o projeto: https://www.institutolumiarte.org/sonsdointerior

Créditos: Vivian Guilherme

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

 

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